
Auto-estima é a capacidade de sentirmos a vida, estando de bem com ela.
O céu é o limite para quem está disposto a aumentar a auto-estima. Exagero meu, nem o céu é o limite.
Com toda sinceridade eu nem sei muito bem o que é auto-estima. Só sei que nunca ouvi meus pais falarem sobre este assunto. Será assunto tabu, tipo sexo? Quanto mais para trás eu olho, menos eu me lembro, de ouvir alguém falar em melhorar ou piorar a auto-estima. Na minha infância toda não conheci criança que tivesse baixa auto-estima. Será que éramos felizes e não sabíamos? Será que eu tinha ou será que a minha era baixa. Como se mede a auto-estima de um indivíduo?
A mídia nos brinda com cada vez mais produtos para melhorar a nossa auto-estima? Vale tudo: cremes antirrugas, carro do ano, cigarro, tintura para cabelo, bolsa nova, emprego novo, xampu, cueca, lingerie, refrigerante light, pão sem glúten.
Andei pesquisando o que é autoestima (que agora perdeu o hífen, só espero que não tenha perdido a própria). Uma das conclusões a que cheguei foi que para ter autoestima é preciso ser magro e na impossibilidade de ter um corpinho seco e malhado, ser um gordo feliz. Pelo menos a maioria dos produtos direcionados aos gordos , prometem melhorar a autoestima (não aguento mais repetir este nome, será que não tem um sinônimo para esta bendita palavra?).
Moro num bairro de verdade. No meu bairro tem padaria, bar, açougue, banco, mercadinho, supermercado, birosca, igreja, posto. No meu bairro tem de tudo. Até coisa moderna. Tem lan house, pet shop, hortifruti, 2 centros culturais, 3 shoppings, inúmeros cafés, além de muitos cinemas “plex”.
Quando estou me sentindo um pouco triste, saio às compras. O que na verdade uso como pretexto para uma voltinha pelo bairro. Arrumo o cabelo bem bonito, esticado e preso atrás num rabo de cavalo. Uso vestido florido, para espantar a tristeza e esconder as vergonhas. Na boca baton rosa claro, discreto, sandália rasteirinha nos pés e minha inseparável sacola “eco”.
O elevador pára, no sétimo andar, e entra minha vizinha do 703. Dona Iolanda tem sempre um elogio para mim. Já falou do meu corte de cabelo, do tom da minha voz, da minha pele, outro dia elogiou meu colo! Hoje, falou do tom do esmalte, que cai muito bem com meu tom de pele! Sempre que o elevador para no sétimo andar, uma sensação de paz me invade. Sei que dona Iolanda vai estar com um sorriso no rosto e vai me falar algo agradável, por mais simples que seja.
.
Na portaria seu Mineiro, o porteiro da noite, me aguarda ansioso com uma muda de camomila, nas mãos, há muito prometida.
-Um quilo de patinho por favor!
- Há quanto tempo não a vejo dona Liz, pensei que tivesse virado vegetariana! Seu Agenor, o açougueiro elogia meu vestido florido. Troco dois dedos de prosa com ele. A família vai bem, a senhora dele, embora fazendo hemodiálise, tudo bem!
Na praça, o vizinho, do prédio ao lado, leva a cachorrinha poodle para tomar sol. Quando me vê, abre um largo sorriso.
Usando a camisa do nosso time que levou uma surra no domingo. Acena para mim e grita parecendo não se importar com a derrota.
- Saudações tricolores!
E, assim, um dia após o outro, vamos vivendo e envelhecendo cordialmente.
E a autoestima? O leitor me pergunta. Sei lá, não penso nisso, vou vivendo do jeito que dá.
Com toda sinceridade eu nem sei muito bem o que é auto-estima. Só sei que nunca ouvi meus pais falarem sobre este assunto. Será assunto tabu, tipo sexo? Quanto mais para trás eu olho, menos eu me lembro, de ouvir alguém falar em melhorar ou piorar a auto-estima. Na minha infância toda não conheci criança que tivesse baixa auto-estima. Será que éramos felizes e não sabíamos? Será que eu tinha ou será que a minha era baixa. Como se mede a auto-estima de um indivíduo?
A mídia nos brinda com cada vez mais produtos para melhorar a nossa auto-estima? Vale tudo: cremes antirrugas, carro do ano, cigarro, tintura para cabelo, bolsa nova, emprego novo, xampu, cueca, lingerie, refrigerante light, pão sem glúten.
Andei pesquisando o que é autoestima (que agora perdeu o hífen, só espero que não tenha perdido a própria). Uma das conclusões a que cheguei foi que para ter autoestima é preciso ser magro e na impossibilidade de ter um corpinho seco e malhado, ser um gordo feliz. Pelo menos a maioria dos produtos direcionados aos gordos , prometem melhorar a autoestima (não aguento mais repetir este nome, será que não tem um sinônimo para esta bendita palavra?).
Moro num bairro de verdade. No meu bairro tem padaria, bar, açougue, banco, mercadinho, supermercado, birosca, igreja, posto. No meu bairro tem de tudo. Até coisa moderna. Tem lan house, pet shop, hortifruti, 2 centros culturais, 3 shoppings, inúmeros cafés, além de muitos cinemas “plex”.
Quando estou me sentindo um pouco triste, saio às compras. O que na verdade uso como pretexto para uma voltinha pelo bairro. Arrumo o cabelo bem bonito, esticado e preso atrás num rabo de cavalo. Uso vestido florido, para espantar a tristeza e esconder as vergonhas. Na boca baton rosa claro, discreto, sandália rasteirinha nos pés e minha inseparável sacola “eco”.
O elevador pára, no sétimo andar, e entra minha vizinha do 703. Dona Iolanda tem sempre um elogio para mim. Já falou do meu corte de cabelo, do tom da minha voz, da minha pele, outro dia elogiou meu colo! Hoje, falou do tom do esmalte, que cai muito bem com meu tom de pele! Sempre que o elevador para no sétimo andar, uma sensação de paz me invade. Sei que dona Iolanda vai estar com um sorriso no rosto e vai me falar algo agradável, por mais simples que seja.
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Na portaria seu Mineiro, o porteiro da noite, me aguarda ansioso com uma muda de camomila, nas mãos, há muito prometida.
-Um quilo de patinho por favor!
- Há quanto tempo não a vejo dona Liz, pensei que tivesse virado vegetariana! Seu Agenor, o açougueiro elogia meu vestido florido. Troco dois dedos de prosa com ele. A família vai bem, a senhora dele, embora fazendo hemodiálise, tudo bem!
Na praça, o vizinho, do prédio ao lado, leva a cachorrinha poodle para tomar sol. Quando me vê, abre um largo sorriso.
Usando a camisa do nosso time que levou uma surra no domingo. Acena para mim e grita parecendo não se importar com a derrota.
- Saudações tricolores!
E a autoestima? O leitor me pergunta. Sei lá, não penso nisso, vou vivendo do jeito que dá.